quinta-feira, 19 de maio de 2011

Um poema fantástico de Carlos Drummond de Andrade

Louco é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem.
                A noite era quente e calma, e eu estava em minha cama, quando, sorrateiramente, te aproximaste. Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença, aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos. Até nos mais íntimos lugares. Eu adormeci. Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão. Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite. Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama, te esperar. Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força. Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos. Só descansarei quando vir sair o sangue quente do seu corpo.
Só assim, livrar-me-ei de ti, pernilongo desgraçado!!!!

Lá em casa

Lá em casa
Tem um passarinho
Preso na gaiola
Quando ele canta
Eu pego na viola
Sou eu e ele sem poder voar

Se eu abro a porta canarinho
Você vai embora
Motivo forte
muita gente chora
E eu choro pelo amor
Que se foi pelo ar

Não te solto, passarinho
Nunca cometo a besteira
Lá fora tem menino
E atiradeira
Alçapão e armadeira
Pra te pegar

Prefiro bem te ver mais preso
Dentro da gaiola
Do que marca de chumbo
Bem na tua gola
E é menos um bichinho
Pra poder cantar

Nós somos dois
Iguais nessa vida
Homem e passarinho
Sentindo a falta de amor e ninho
Você preso e eu sem assas
Pra poder voar.

|Obs: Desconheço o autor desse poema.

domingo, 15 de maio de 2011

Conchas...

"Somos como crianças brincando na praia: pulamos de alegria quando as ondas nos trazem dezenas de conchas coloridas e choramos de tristeza quando essas mesmas ondas levam as conchas embora..." Friedrich Nietzche

domingo, 13 de março de 2011

Tua indiferença...


Hoje tive meu sentimento calado, por sua frieza,
sua indiferença, nem bom dia, nem um oi sequer... Eu mereci.
Abaixo meus olhos diante do choque de te sentir longe... 
Longe demais...
Onde meus olhos já não te alcançam,
Nem meus carinhos te encontram,
Meus braços já não te aquecem mais...
E meu coração já não consegue mais ouvir o seu.

A.C.L.M 30/08/09 
(Esse texto em seu contexto original: http://poetaspoetisas.blogspot.com/2009/08/tua-indiferenca.html)

FRASE (clique na imagem para ampliá-la)

Willian Shakespeare

quinta-feira, 10 de março de 2011

SÉRIE: Seleções Cartas de Amor - de Fred Jorge (carta 70)

Meu inesquecível amor!

            Você vai partir, e sua expressão é para mim como um final de sonho, como a tristeza do final de um dia de sol, quando as sombras do crepúsculo chegam mansamente... Minhas mãos tremem. Meus olhos estão cheios de lágrimas...
            Não temos coragem para nos olhar face a face. Não temos ânimo para nos falar. Você parece querer fugir à realidade do momento; eu também estou assim. Procuro ocultar ao máximo o que me vibra dentro do coração, mas não posso, querida. Não posso, porque estou com medo – com medo da eternidade da saudade que virá. Das horas de tédio que se fazem anunciar, dentro do meu coração, de minhas mãos tristes, cansadas, que não mais vão sentir o contato das suas...
            Mas, num gesto corajoso e decisivo, nos olhamos. Você mira meus olhos com seus olhos luminosos, e vejo neles, luz e pranto, tristeza e dor...
            Um beijo nasce em nossos lábios; um longo beijo, que sela o fim de tudo. O adeus se faz sentir tremendo, terrível e real. Você parte. E sua figura, mesmo próxima, parece estar se diluindo lentamente através do véu de lágrimas que empana meus olhos...

SÉRIE: Seleções Cartas de Amor - de Fred Jorge (carta 69)

Meu inesquecível amor!

            Sem você, sinto que as sombras da tristeza invadem minha alma. Em vão caminho dentro da noite, como se o meu sonho fosse um triste fragmento de saudade; solitário, deixo que todo meu ser seja tomado de uma estranha sensação de angústia: não mais ter a presença de quem tanto gosto, dentro da minha vida; não mais sentir a ventura de estar ao seu lado...
            Estou sozinho dentro da noite. Por sobre minha cabeça, majestosa e bela, uma lua cor de prata – lua fantasticamente bela, e para mim, fantasticamente trágica. Estrelas... E a cor azul que me faz lembrar seus olhos...
            A noite prossegue, sempre linda, sempre suave e sempre enfeitada de luminosidade. Eu penso em você, agora tão distante. Penso em seus braços tão bem torneados, tão cálidos. Penso em seus cabelos.
            E toda essa saudade que me invade a alma extravasa num cascatear de lágrimas, pelos meus olhos tristes, meu amor...

SÉRIE: Seleções Cartas de Amor - de Fred Jorge (carta 68)

Meu inesquecível amor!

            Hoje, a mão da saudade levantou o véu do passado. A paisagem interior de minha alma, sempre tão sombria e cinzenta, surgiu cheia de sol, radiante de beleza. Não era a paisagem do momento, não eram as horas de agora, tão cheias de tédio, de monotonia e de amargura...
            Eram as horas vividas num passado distante. Eram as horas de alegria, quando nosso amor florescia, potente e belo. Quando nós tínhamos o sol radioso das manhãs festivas da existência. Quando nós trazíamos dentro da alma a alegria das noites de luar, e a beleza das estrelas românticas... Tudo isso se ocultava por trás do véu do passado. Tudo isso estava imerso num universo fantástico de mistério e sonhos.
            Só a beleza do sonho pode reviver felicidade passada. Só mesmo a mão da saudade pode, com seu toque macio, despertar os pálidos fantasmas desmaiados pela ação do tempo...
            Nessa paisagem distante, do tempo que não volta mais, tudo está apagado, pálido e tristonho. Só a visão bonita de quem eu ainda amo continua destacada e bela.
            Você vem para mim, querida, nesta hora de recordação e beleza. E meus lábios, trêmulos, buscam o contato dos seus, meu inesquecível amor...
            Mas sua figura bela se esvai lentamente, porque não passa de uma fantasia criada pela minha imorredoura saudade...

SÉRIE: Seleções Cartas de Amor - de Fred Jorge (carta 67)

Meu inesquecível amor!

            Hoje você esteve comigo completamente. Sei muito bem que você não me pertence: a outro jurou, perante Deus e os homens, que seria eternamente fiel. A outro você entregou todo seu viver, todas as suas horas, todos os seus encantos. A outro você entregou a boca cheia de beijos cálidos, deliciosos...
            Mas estivemos juntos, meu amor! O milagre da saudade, que se repete em cada hora de minha solidão, trouxe a volúpia de sua presença. Eu cerrei os olhos e me deixei embalar pela imaginação. O mundo de sonhos apresentou-se com seu horizonte imensamente extenso; não havia limites, no horizonte que surgia ante meus olhos atônitos. E você apareceu, querida. Veio lentamente, como uma doce figura de lenda. Envolveu-me em seus braços cálidos. Colocou seus lábios nos meus. Senti seus cabelos caírem sobre o meu rosto, aspirei o seu doce perfume e arrebatei-a dentro do meu alucinado sonho.
            Você era totalmente minha, nessa hora de êxtase. Completamente minha, no momento de sonho. Não me importei com o juramento que você pronunciou perante os homens, não me importei com as juras de amor que outro ouviu. Você era minha, querida, completamente minha, na hora sublime de recordação...

quarta-feira, 9 de março de 2011

SÉRIE: Seleções Cartas de Amor - de Fred Jorge (carta 66)

Meu inesquecível amor!

            É fim de primavera! Pelas ruas quietas, começa o rolar tristonhos das folhas amareladas. O outono começa a despir as ramagens das árvores solitárias, plantadas ao longo da avenida. Meus olhos inquietos buscam, na tristeza da tarde, o seu vulto belo. Minha boca está cheia de beijos quentes... Todo um tesouro de ternuras e carinhos mora dentro de minha alma à espera de que você venha buscá-lo.
            Sou todo seu, meu amor! Sou todo seu nesta hora suave de saudade e de sonho. Minha vida, sem o encanto de sua presença, não significa nada. Você partiu, e acentuou dentro de minha alma vazia a tristeza deste fim de primavera. Já sinto a saudade precoce que me vem falar de você. Já sinto a tristeza das horas que virão, me trazendo angústia e tédio.
            Mesmo assim, na confusão dos meus sentimentos, eu sinto que há um resto de esperança: esperança de que você venha para mim; esperança de que você me traga de novo a alegria de viver; esperança de sentir o calor do seu abraço e a delícia do seu beijo, minha querida! 

SÉRIE: Seleções Cartas de Amor - de Fred Jorge (carta 65)

Meu inesquecível amor!

            Durante longos dias de perene ventura estivemos juntos. Ríamos e éramos tranquilos, como duas crianças que caminhavam pelas estradas enfeitadas pela primavera...
            Depois você partiu. Não sei por que, fiquei inquieto. Pensei que sua ausência fosse para mim como a ausência normal de um amigo. Julguei que o tempo me traria o esquecimento habitual e rotineiro... Mas não aconteceu assim.
            Você começou a viver dentro de minha saudade. A inquietação colocava tristeza em meus olhos. Eu olhava as estrelas do céu, como que tentando traduzir a mensagem luminosa que descia delas. Eu olhava o luar e ficava com o coração cheio de sonho. Eu observava a brisa buliçosa, brincando entre os ramos e tinha vontade de cantar...
            Então, compreendi: eu amava, eu amava intensamente. Queria que você voltasse para os meus braços. Queria que você voltasse a sorrir para mim, para que eu pudesse sorrir também...
            Mas você na voltou, nem vai voltar. Eu ficarei apenas sonhando com você, sonhando com seu beijo delicioso. E compreendi que só a força da ausência pode determinar a força do amor...
            Sei que a amo, querida. Agora compreendo que a amo intensamente e que você deve voltar, porque você eternizar a primavera dentro do meu coração, querida!...  

SÉRIE: Seleções Cartas de Amor - de Fred Jorge (carta 64)

Querida!
           
            Desde que você partiu, a saudade tem estado a falar de você. Sim, querida: ela chega nas horas perdidas da noite e vem mansamente, como se fosse um pouco de luar na imensidão de uma noite de mistério. E a inquietação vem me falar de você, vem colocar o nervosismo em meu corpo agitado. E o meu torturado cérebro começa a divagar.
            Todos os meus antigos sonhos renascem, minhas melhores esperanças começam a ressurgir. Minhas próprias ilusões parecem renascer ao toque mágico dessa saudade imensa que me fala de você.
            E eu fico sonhando, meu amor. Caminho longamente pelo quarto deserto. A alcova fria parece refletir. E parece sentir também o peso da dor que faz curvar minha cabeça. Parece imersa em penumbra eterna. E faz que toda minha ansiedade aumente.
            Abro a janela e olho o jardim deserto. A brisa murmura segredos de amor às rosas tristes e pálidas. O chafariz inquieto e marulhante transforma em sussurros discretos um soluçar profundo.
            A amargura coloca a máscara fria da dor em minha face. A tristeza me fala ao coração e a sua voz me parece um lamento discreto, desses que a noite encerra.
            E compreendo que minha solidão é completa, meu amor. Muito mais completa, porque, quando a madrugada chega, a saudade se vai para longe de mim, querida...

SÉRIE: Seleções Cartas de Amor - de Fred Jorge (carta 63)

Meu inesquecível amor!

            Nesta hora terrível de saudade e angústia, eu sinto a mão do tédio pesando sobre minha alma. Sinto a asa da angústia esvoaçando na paisagem cinzenta de minha alma. Sinto as garras do desespero estraçalhando meu coração. E todo meu ser é uma atitude única de desconforto, de ódio e de revolta...
            Porque você não está comigo, porque você está longe, eu maldigo todo aquele que passa por você. Eu maldigo aquele que, ao olhar seus olhos, fique embevecido e ébrio dessa luz que foi minha estrela, o meu luar, o meu sol. Eu maldigo aquele que, ao tocar suas mãos, tenha um estremecimento de desejo, uma palpitação de volúpia. Maldigo aquele que tocar a noite negra de seus cabelos e aspirar o perfume que eles contém, que foi para mim toda a primavera em flor. Maldigo aqueles que vire o seu vulto bonito, a sua delicada silhueta, os seus lábios cor de pecado e a sua alma pesada de pecadores desejos.
            Mas, bendigo você, que ao passar em minha vida, deixou um rasto de beleza e de poesia – e eu a bendigo por esta angústia deliciosa, porque é a angústia da paixão. Eu a bendigo por esta melancolia cinzenta, que é a tristeza de amar. Eu a bendigo por tudo o que sou neste momento, e por esta saudade doce, que me faz chorar sorrindo, meu amor!...

terça-feira, 8 de março de 2011

ETERNAS POESIAS: Tentativa, de Márcio Greick - interpretada por Roberto Carlos

Na tentativa de esquecer você
Já fiz de tudo o que podia
E não achando uma solução
Me vi perdendo as rédeas do meu coração

E me encontrei te amando simplesmente
Com aquele mesmo amor de antigamente
Do qual não consegui me afastar
Te amei ainda mais, querendo não te amar

Andei por uma estrada muito longa e pensei
que um outro alguém podia aparecer
E de repente nesse meu caminho
Um novo amor pudesse acontecer

Mas não, o meu amor é muito grande agora eu sei
E não me deixa mesmo te esquecer
Não sei o que fazer da minha vida
Se pra viver preciso de você

E cada vez que eu te encontro
Você parece mais bonita
Modificando os meus planos
De não querer você na minha vida

Na tentativa de esquecer você
Já fiz de tudo que podia.


SÉRIE: Seleções Cartas de Amor - de Fred Jorge (carta 62)

Meu inesquecível amor!

            Hoje, no último dia do ano, eu estou pensando em você. Como de costume, quando a noite avança por sobre a terra, a saudade vem – vem mansamente para dentro do meu quarto, como se fosse um pouco de brisa acariciando minha alma.
            Hoje não foi a saudade que veio, querida – foi a esperança... E por que a esperança? Esperança de quê?
            Talvez tenha sido influência de todo o movimento festivo que vejo por aí. Talvez seja um pouco da melodia do espoucar dos champanhas. Talvez seja a beleza eterna que existe em todos os momentos tradicionais, que se renovam de ano para ano, como um fluxo de primavera, reerguendo-se da arrancada do inverno...
            No entanto, hoje eu estou só, não tenho saudade: a esperança me diz que você voltará. Talvez no próximo ano estejamos juntos. Talvez no próximo ano seus braços estejam me envolvendo e seus dedos imateriais estejam acariciando meus cabelos. Seus lábios estarão murmurando frases de amor e eu estarei sonhando, querida – sonhando com um novo ano, tendo você em meus braços, querida...
            Por isso brindo o novo ano que se aproxima, com a taça dos meus lábios cheios de beijos para você, querida!

SÉRIE: Seleções Cartas de Amor - de Fred Jorge (carta 61)

Meu inesquecível amor...

            Cansado de caminhar pelas ruas, dentro desta noite sombria e triste, retornei ao meu quarto. Meus passos ressoavam sombriamente, como se fossem ruídos vindo de um mundo angustioso de sofrimento e dor.
            Os cigarros que fumei lançavam fantásticas espirais de fumaça azulada para o ar. Meus olhos cansados buscavam um motivo de beleza, de alegria ou de distração. Mas nada encontravam, meu amor: tudo lembrava você. As flores arrumadas no vaso, o teclado mudo de um piano aberto num sorriso constante, uma luva abandonada sobre o divã como se fosse um pequeno gesto de adeus. Você estava em toda parte, através dessa saudade infinita que me lembrava você.
            Minhas mãos trêmulas estavam geladas; queriam você, seu contato, sua presença, mas nada eu consegui encontrar além do vazio. Sim, meu amor: o vazio de minha vida, do meu coração e de minha alma.
            Compreendi que nem a maior saudade do mundo seria capaz de encher o deserto imenso de minha vida. Compreendi que só a sua volta poderia trazer ao meu coração a alegria de viver. Chorei em solidão; não me envergonho dos soluços que sufoquei na garganta. Minhas mãos nervosas não paravam. Eu precisava de você. Eu queria falar com você. Só você, querida!
            E foi então que eu tomei desta folha de papel e escrevi mais uma carta de amor...

SÉRIE: Seleções Cartas de Amor - de Fred Jorge (carta 60)

Meu inesquecível amor!

            Melancolia... tristeza dentro da tarde cinzenta, que parece desmaiar lentamente nos braços da noite... amargura infinita de sentir dentro da alma este vazio, que fala de sombras perdidas dentro de um passado que não volta mais – sombras que sugerem a visão bonita de um mundo que foi totalmente disperso; sombras que falam de vidas entrelaçadas e que agora nada mais são do que fragmentos de saudade...
            Sabe, meu amor, eu procuro imaginar o Reino da Saudade. Sim: se a saudade é tão grande, e está um pouco dentro de cada vida, deve ter um reino infinitamente grande. Deve ter um conjunto de vultos, que vivem imersos na escuridão, na bruma...
            Nós também agora pertencemos a esse mundo perdido. Nós, que éramos dois corações pulsando sempre ao mesmo ritmo, com o mesmo calor, com a mesma beleza, somos duas sombras perdidas dentro desse lugar triste, cansado, onde só se ouvem murmúrios, e os leves soluços das almas desesperadas...
            Nada mais somos do que dois vultos perdidos na estrada da amargura, levados sempre pela mão branca e carinhosa da saudade, meu amor...

SÉRIE: Seleções Carta de Amor - de Fred Jorge (carta 59)

Meu inesquecível amor...

            As festas de fim de ano aproximam-se e, na beleza festiva de todas as noites, eu via faces felizes, olhares cintilantes e sorrisos que eram reflexos de felicidade.
            O povo que circula pelas ruas parecia um povo especialmente cheio desse espírito tradicional, que em todos os fins de ano coloca uma nota de alegre zoada no bulício da metrópole. Ao lado de toda a gente feliz, havia aqueles que sofriam inutilmente, como se levassem sobre os ombros o peso de uma dor imensa – a dor de ser sempre pobre, desejando o impossível; a dor de não ter nada, além de um desejo imenso, insaciável...
            No entanto, eu era um desses pobres, que, olhando a vitrina da vida, pedia ao Papai Noel um pouco de felicidade como presente de festas...
            Nada eu consegui, meu amor! Nada, além da terrível desilusão! Nada, além da tristeza infinita de estar sozinho!...
            Na vitrina da vida, o único brinquedo que pedi foi você. Mas eu não tinha a moeda do amor para comprar, querida... E, por isso, continuei sozinho dentro da noite festiva, sem a mensagem alegre que poderia alimentar o sonho que desfalecia dentro do meu coração...

Amigos...

Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir
Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou
Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam não
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O TEU RISO - de Pablo Neruda


Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Quero Ver seu Sorrir !

Nem que seja por um segundo,
Para ter seu sorriso,
Posso não te dar o mundo,
Nem o chão em que piso,
Mas num leve momento,
Quero ver seu sorrir,
Para o céu se abrir!
Quero ouvir seu cantar
Para poder te contemplar.
Pois a vida passa num instante
E o aqui é melhor que antes,
Que teu amanhecer seja sorrindo
Pois a primavera vem vindo!

(Carlos Eduardo Velozo)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Sem título

Quando tudo parece caminhar errado,
seja você o primeiro passo certo.

Se tudo parece escuro, se nada puder ser visto,
acenda a primeira luz.

Traga para a treva, você primeiro,
a pequena lâmpada.

Quando todos estiverem chorando,
tente você o primeiro sorriso,
Não na forma de lábios ardentes,
Mas na de um coração que compreenda,
de braços que confortem.

Se a vida inteira for um imenso não,
parta você na busca do primeiro sim,
Ao qual tudo de positivo deverá seguir se

Se o vento sopra frio,
que seu calor humano seja a primeira proteção

Não atire a primeira pedra em quem erra,
de acusadores o mundo está cheio.

Nem, por outro lado, aplauda o erro.

Ofereça sua mão primeiro para levantar quem caiu,
dê sua atenção primeiro para mostrar o caminho de volta,
compreendendo que o perdão regenera,
que é a compreensão edificada, que o possibilita,
e que o entendimento reconstrói.

Toda escada tem um degrau,
para baixo ou para o alto.

Toda estrada tem um primeiro passo,
para frente ou para trás.
Toda vida tem um primeiro gosto de existência ou de morte.

Atire pois, você, com ternura e vontade de entender,
quando tudo for pedra, a primeira e decisiva semente da flor!
(desconheço o autor desta poesia)

Coisas de amigo

Plácidos & Carreras

Eis uma história que nem todos conhecem, mas que nos leva a pensar se precisamos mesmo conviver com a rivalidade.
         Refere-se a dois dos três tenores que encantaram o mundo, cantando juntos. Mesmo quem nunca visitou a Espanha, conhece a rivalidade existente entre catalães e madrilenos, dado que os catalães lutam pela autonomia, em uma Espanha controlada por Madri. Pois bem, Plácido Domingo é madrileno. José Carreras é catalão. Devido às questões políticas, em 1984, Carreras e Domingo tornaram-se inimigos. Sempre muito solicitados em todo o mundo, ambos faziam questão de exigir nos seus contratos, que só atuariam em determinado espetáculo se o adversário não fosse convidado.
         Em 1987 apareceu a Carreras um inimigo muito mais implacável que o seu rival Plácido Domingo: foi surpreendido por um diagnóstico terrível, leucemia. A sua luta contra o câncer foi muito difícil, tendo-se submetido a diversos tratamentos, a um transplante de medula óssea, além de uma mudança de sangue, que o obrigava a viajar mensalmente até aos Estados Unidos.
         Nestas circunstâncias, não podia trabalhar e apesar de ser dono de uma fortuna razoável, os elevadíssimos custos das viagens e dos tratamentos, dilapidaram suas finanças. Quando não tinha mais condições financeiras, teve conhecimento da existência de uma fundação em Madri, cuja finalidade era apoiar o tratamento de doentes com leucemia. Graças ao apoio da fundação “Formosa”, Carreras venceu a doença e voltou a cantar.
         Voltou a receber os altos cachês que merecia, e resolveu associar-se a fundação.
         Foi ao ler seus estatutos, que descobriu que o seu fundador, maior colaborador e presidente da fundação, era Plácido Domingo. Depressa soube que Domingo tinha criado a fundação para ajudá-lo e que se tinha mantido no anonimato para que ele não se sentisse humilhado ao aceitar o auxílio de seu “inimigo”. Mas... o mais comovente foi o encontro de ambos. Surpreendendo Plácido Domingo em um de seus concertos em Madri, Carreras interrompeu a atuação deste, subindo ao palco e humildemente, ajoelhou-se aos seus pés, pediu-lhe desculpas e agradeceu-lhe publicamente. Plácido ajudou-o a levantar-se e com um forte abraço, selaram o início de uma grande e bela amizade.
         Mais tarde uma jornalista perguntou a Plácido Domingo porque criara a fundação “Formosa”, em um gesto que além de ajudar um “inimigo”, ajudava também o único artista que poderia fazer-lhe concorrência. A sua resposta foi curta e definitiva:
         - Porque uma voz como aquela não poderia perder-se.
(Essa é uma história real da nobreza humana e deveria nos servir de exemplo)               
Autor desconhecido.